A Magia da Cerca Viva

Como num passe e mágica, as plantas podem se transformar em barreiras naturais, ornamentando ou protegendo sua propriedades, ocupando o lugar de inanimados muros ou cercas, ou ainda aliando-se a eles.

No jardim, as cercas vivas tem grande importância paisagística, estética, e sobretudo, definem e restringem áreas, dentro e nos limites do terreno, e muitas vezes é nossa linha de ligação com o ambiente externo, ou ainda nossa proteção.

Também simbolizam na frente do terreno, a primeira impressão, justamente a entrada da casa ou lugar, e a recepção, tanto para os moradores quanto para os visitantes.

É aconselhável por esse motivo se evitar espinhos, apesar de conferir mais proteção, eles podem ter o efeito inverso, passando a imagem de medo, receio e isolamento.

Mas apesar disso, em alguns casos eles podem ser amenizados por outras plantas, criando situações que conferem as boas vindas para as pessoas que passam e que estão chegando.

Já nos limites laterais do terreno, elas devem, de preferência ser espécies que limitam a área sem invadir o espaço vizinho.
Para cercas e alambrados uma das mais utilizadas é a thumbergia grandiflora, com floração azul ou branca. Esta trepadeira de crescimento rápido, floresce o ano todo ,mas deve ser cultivada a pleno sol.

O jasmim amarelo, arbusto escandente também pode ser utilizado nessa situação, a pleno sol. Seu nome científico é jasminum mesnyi, apesar de suas flores não produzirem o perfume da maioria dos outros jasmins existentes, sua floração amarela é densa, e se dá durante o inverno, época em que outras plantas não apresentam tantas flores.

Podemos utilizar inúmeras outras espécies. Abaixo alguns exemplos:

  1. Com tutoramento:
  • São plantas que necessitam de apoio para se desenvolver no sentido desejado, podendo apoiar-se em cercas de arame, alambrado, muros de concreto ou cercas de madeira.
  • - Tumbérgia grandiflora: planta de crescimento rápido, com inflorescências azuis, quase o ano todo, principalmente na primavera e verão. Trepadeira muito rústica, porém pouco tolerante a geadas. Cultivada a pleno sol , é apropriada para caramanchões pergolados e cercas de alambrado.
  • - Podranea ricosolina: trepadeira vigorosa de crescimento rápido e bastante rústica.
    Possui flores de coloração rósea, formadas durante quase o ano todo. É tolerante a baixas temperaturas.
  • - Jasminum mesnyi: arbusto com inflorescências amarelas formadas ao longo dos galhos, bastante vigorosa. Muito rústica adapta-se a regiões de clima ameno.
  1. Sem tutoramento:
  • - Grevílha: planta de crescimento arbóreo, podendo atingir até 6 metros de altura, servindo também como quebra – vento. Recomendada para sítios e fazendas.
  • – Calliandra brevipes: arbusto lenhoso , com flores numerosas podendo chegar a 1-2m,aceita bem podas regulares.
  • Hibisco colibri: arbusto lenhoso de 3-4m de altura, aceita bem as podas, com flores vermelhas e cor de rosas que atraem beija-flores.
  • – Ligustrin sinensis: arbusto muito ramificado, com folhas pequenas e bastante ornamental de coloração verde e branca. Cultivadas em pleno sol e bastante tolerante a geadas, porém deliciosa para as formigas.
  • – Rododrendron azaléias: plantas de crescimento lento, porém bastante resistentes, com flores de várias tonalidades que aparecem no outono inverno.
  • – Bambusa gracilis: planta de coloração verde-amarelada, podendo chegar a 4 metros de altura. Muito usada no paisagismo pelo seu belo efeito ornamental.
  • – Plumbago capensis: também conhecida como bela emília, é um arbusto bastante exuberante com flores de cor azul ou branca, atingindo até 1,5 metro.

Seja qual for a escolha da espécie, deve-se procurar adquirir as mudas em casas especializadas, levando-se em conta a qualidade, a sanidade e a garantia das plantas.

Depois da escolha das espécies, deve-se preparar o solo e adubá-lo antes do plantio. Para isso i recomenda a utilização de calcáreo , adubos orgânicos humificados, e 4-14-8 (N.P.K.) no plantio, não se esquecendo de regas diárias nos primeiros, e depois de 2 a 3 vezes por semana. Seguindo todas as recomendações, é só deixar a natureza agir.

Faz-se necessária uma avaliação no terreno, de influências de exposição ao sol e ventos, fundamentais para o completo aproveitamento dos recursos utilizados. Podemos citar como exemplo, se optarmos por uma espécie para a cerca viva que não atinja a altura desejada na área onde precisa de contenção do vento que vem do sul, o vento frio, sua casa estará muito mais exposta a esse vento.

Se escolhermos uma espécie que cresça demais e a colocarmos ao norte, bloqueará o sol do casa , justamente no inverno quando precisamos de mais luz e calor.
Portanto esses fatores são tão importantes quanto o visual, a beleza plástica, que elas proporcionam, pois estão ligados ao nosso bem estar e saúde.

Gosto de lembrar que temos um clima e flora privilegiadas, extremamente rica e diversa.

Uma cerca viva pode conter ainda não só uma, mas várias espécies diferentes que agrupadas em maciços compõem um quadro magnífico, onde uma espécie é valorizada pela outra que está ao lado, pelo simples contraste de formas e cores, dando movimento e alegria ao jardim.

Kelly Abramo

Paisagista
Flora & Arte Paisagismo

2 comentários sobre A Magia da Cerca Viva

  1. admin disse:

    Lia Silvia Nogueira Amuy

    6 de março de 2010 às 10:10 (Editar)

    Gostei muito da idéia do agrupamento de espécies diferentes na cerca viva. Gostaria de algumas sugestões, se possível com flores. Essas cercas vivas fecham bem ? Seriam adequadas com alambrado, ou com muro?

  2. admin disse:

    admin

    31 de maio de 2011 às 16:31 (Editar)

    Existem várias espécies que podem ser utilizadas juntas , numa mesma cerca viva.
    Para fecharem bem , elas precisam ter crescimento semelhante, ou então serem plantas que aceitam podas frequentes, para manter a cerca viva mais homogênea. Seriam portanto mais adequadas a muros ou alambrados, desde que não sejam trepadeiras, pois estas tem crescimento difícil de controlar , caso tenha mais de uma variedade.
    Poderia dar como sugestão uma composição com maciços (tres mudas ou mais) de murtas, hibiscus variegatum, calliandras vermelhas e bambusas gracilis.
    As murtas possuiem um verde escuro e folhas miúdas que contrastam com as folhas claras e flores vermelhas do hibiscus.Em seguida vem a calliandra com folhas novamente verdes e miúdas e também flores vermelhas ao lado da bambusa verde claro limão. Aí, repete-se a composição conforme a extensão da cerca.
    Todas aceitam podas que devem ser feitas, de preferência quando não houverem flores ou botões, e conforme a altura desejada.
    Agradeço o contato e fico a disposição para outras sugesões.

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